Uma pesquisa da Emater/RS-Ascar revelou que mais de 55 mil produtores deixaram a comercialização de leite no Rio Grande do Sul entre 2015 e 2025. O levantamento, realizado em julho de 2026 com 571 famílias de 385 municípios gaúchos, foi apresentado durante a 49ª Expointer, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio. Os dados apontam para um processo multifatorial que envolve desde preços baixos até a falta de sucessão familiar.
Perfil dos que abandonaram a atividade
O estudo ouviu produtores que deixaram a atividade leiteira e identificou um perfil muito próximo ao do produtor médio do estado. De acordo com o extensionista rural Jaime Ries, não há uma única característica que explique a saída. A maioria das propriedades apresentava indicadores semelhantes aos da média regional, o que reforça o caráter coletivo do fenômeno.
Quando comparamos os indicadores, encontramos um perfil muito semelhante ao produtor médio do Rio Grande do Sul. Isso é importante porque mostra que a decisão de sair não pode ser explicada simplesmente por uma característica isolada da propriedade.
Jaime Ries
Principais motivos da saída
Os fatores mais citados foram o baixo preço do leite, apontado por 79,3% dos entrevistados, e o alto custo dos insumos, mencionado por 66,7%. Outros elementos relevantes incluem a penosidade da atividade (66,4%), a falta de mão de obra familiar (61,3%) e o desinteresse dos filhos pela sucessão (37,8%). O extensionista destaca que a decisão costuma ser gradual.
É um conjunto de condições que vai se somando. Geralmente, a decisão já vinha sendo pensada e, em determinado momento, acontece um gatilho. É um processo multifatorial.
Jaime Ries
O levantamento também buscou entender o que aconteceu com as famílias após a desistência. Os resultados serão usados para orientar políticas públicas de apoio à permanência no campo e à diversificação de atividades rurais no Rio Grande do Sul.