O envelhecimento das plantações de cacau ameaça restringir a oferta global da commodity e pressionar as cotações nos próximos anos. Consultores e especialistas do setor destacam a necessidade urgente de renovar os cacauais para manter a produtividade nas principais regiões produtoras, com atenção especial à Costa do Marfim e ao Brasil. O ciclo economicamente viável do cacaueiro varia entre 20 e 30 anos, o que exige ações contínuas de replantio.
O desafio nas principais regiões produtoras
Na Costa do Marfim, maior produtora mundial, 85% das lavouras já estão senis. Essa condição reduz o rendimento das áreas mais antigas e exige medidas imediatas para compensar a perda de produtividade. No Brasil, produtores também enfrentam o mesmo problema e buscam estratégias para renovar as plantações de forma eficiente.
Especialistas recomendam renovar cerca de 10% da área cultivada anualmente. Essa prática permite sustentar a oferta global e evitar quedas bruscas na produção. A diretora de Agricultura Carlos Soares e o supervisor agrícola Matheus Leite, da Fazenda Vila Opa, participam de discussões sobre o tema no podcast “Do Cacau ao Futuro”, da Nestlé.
A necessidade de renovação global
Para compensar a perda de rendimento das áreas mais velhas e sustentar a produtividade global, é preciso incorporar entre 1,8 milhão e 2,2 milhões de hectares de cacau de alta performance no mundo.
Há necessidade de incorporar entre 1,8 milhão e 2,2 milhões de hectares de cacau de alta performance no mundo para compensar a perda de rendimento das áreas mais velhas
Roberto Lessa
A adoção de variedades de alta performance pode ajudar a equilibrar a oferta e atender à demanda crescente nos próximos anos. A renovação planejada representa um passo essencial para a estabilidade do mercado de cacau.