Um pesquisador da Embrapa Cerrados alertou, durante a 34ª Expoabra em Brasília, que a pecuária brasileira evoluiu geneticamente nas últimas décadas, mas as pastagens permanecem defasadas e não acompanham o potencial dos animais atuais. Marcelo Ayres destacou que 80% das cultivares de forrageiras em uso são tecnologias das décadas de 1970 e 1990, o que limita a produtividade e a rentabilidade dos sistemas a pasto.
Desafios na pecuária de corte
A palestra do especialista no painel “Desafios e oportunidades na pecuária de corte” comparou índices zootécnicos antigos e modernos para mostrar a necessidade de atualização das pastagens. Ayres ressaltou que o boi de hoje apresenta desempenho superior, mas as forrageiras tradicionais não suportam essa evolução. A Embrapa, em parceria com Unipasto, Abiec e Asbia, busca reverter esse quadro por meio de novas cultivares.
Novas cultivares de forrageiras
Entre as soluções apresentadas estão a BRS Carinás, lançada em abril de 2026, e a BRS Sarandi, disponível desde 2022. Essas variedades oferecem ganhos produtivos e econômicos relevantes, permitindo maior lotação e melhor aproveitamento da área. Ayres enfatizou que a escolha correta da forrageira pode elevar a produtividade por hectare de forma mensurável.
O boi de hoje não é o mesmo animal de 40, 50 anos atrás. E o segundo ponto é que quando falamos de forrageira e pastagem, estamos falando de tecnologia de ponta.
Marcelo Ayres
Os dados apresentados mostram que investir em pastagens modernas aumenta a rentabilidade do produtor e reduz a pressão por expansão de áreas. A atualização tecnológica é vista como essencial para manter a competitividade da pecuária brasileira no mercado internacional.