A Embrapa Uva e Vinho apresentou a cultivar de pera BRS Áurea, a primeira desenvolvida pela unidade gaúcha e adaptada às condições climáticas do Sul do Brasil. O material resulta de cruzamento entre as cultivares Hosui e Abate Fetel, realizado em 2006, e foi registrado no Registro Nacional de Cultivares em maio de 2025. A colheita concentra-se entre 5 e 20 de janeiro, período que coincide com a demanda por frutas frescas no início do ano.
Origem e desenvolvimento da cultivar
Os pesquisadores João Caetano Fioravanço, Lucimara Antoniolli e Marcos Botton conduziram cerca de vinte anos de seleção, avaliação agronômica e validação em campos experimentais de Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul. O objetivo principal foi obter uma pera com boa adaptação regional, potencial produtivo elevado, qualidade de frutos e resistência a doenças, além de conservação pós-colheita satisfatória.
A BRS Áurea reúne boa adaptação às condições do Sul do Brasil, potencial produtivo e frutos de excelente qualidade. Esses atributos são importantes para estimular a produção brasileira de peras
João Caetano Fioravanço
Os ensaios demonstraram menor infestação pela mosca-das-frutas em comparação com outras cultivares, característica que favorece o manejo integrado sem substituir as práticas de monitoramento.
Benefícios para o mercado e produtores
A nova cultivar apresenta potencial de conservação pós-colheita que amplia o período de comercialização e facilita a distribuição da fruta fresca. Com isso, produtores do Sul do Brasil podem reduzir a dependência de importações e atender melhor ao mercado interno durante o verão.
A BRS Áurea apresenta propriedades muito interessantes para o mercado de frutas frescas pelo bom potencial de conservação pós-colheita, aspecto importante para ampliar o período de comercialização e facilitar a distribuição da fruta
Lucimara Antoniolli
A menor infestação observada na BRS Áurea é uma característica bastante interessante, principalmente considerando a importância da mosca-das-frutas para a fruticultura do Sul do Brasil. Isso não significa que o produtor possa deixar de monitorar e manejar a praga, mas indica uma característica favorável da cultivar que pode contribuir para o sistema de produção
Marcos Botton
A combinação de adaptação regional, qualidade e menor pressão de pragas posiciona a BRS Áurea como opção promissora para ampliar a produção nacional de peras nos próximos anos.