Clima

Agronegócio cobra alterações no Plano Clima para proteger imagem no exterior

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Entidades do agronegócio e parlamentares da bancada ruralista pressionam por mudanças no Plano Clima, uma iniciativa do governo federal que compila dados sobre o impacto de setores econômicos nas mudanças climáticas e orienta políticas para cumprir metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Eles argumentam que o texto original, apresentado pelo Executivo, pode prejudicar a imagem e a competitividade do agro brasileiro no mercado internacional, e cobram uma posição mais firme do Ministério da Agricultura para revisar trechos considerados prejudiciais.

A principal crítica recai sobre a vinculação da maior parte das emissões por desmatamento ilegal ao setor agropecuário, o que eleva o agro de segundo para primeiro maior emissor no país, responsável por mais de 70% das emissões. Ambientalistas concordam com esses números e defendem que o agronegócio precisa assumir responsabilidades. Já representantes do setor alegam que o plano ignora avanços sustentáveis e expõe injustamente o Brasil a críticas de concorrentes, como Estados Unidos e União Europeia, que associam a produção brasileira ao desmatamento e impõem barreiras comerciais.

Bruno Lucchi, diretor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), critica o plano por transmitir uma “mensagem errada” sobre o agronegócio, especialmente em 2025, ano da COP30 em Belém. Ele teme que os dados sirvam como argumento para classificar o Brasil como de alto risco na Lei Antidesmatamento da União Europeia (EUDR) e reforcem tarifas nos EUA ou atrasos no acordo Mercosul-UE. Lucchi acusa falta de transparência na elaboração e sugere que partes do governo visam restringir o setor, sem alterar o Código Florestal.

O plano atribui ao agro 813 milhões de toneladas de CO2 por desmatamentos, somadas a 643 milhões da produção propriamente dita, enquanto o setor de conservação da natureza responde por 356 milhões. Leonardo Papp, da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), destaca que 55% das emissões atribuídas não vêm da produção, mas de desmatamentos, incluindo áreas como assentamentos e unidades de conservação. O setor defende separar emissões de desmatamento das da produção, argumentando que o ilegal é responsabilidade do poder público.

Pedro de Camargo Neto, liderança agropecuária, reforça que desmatamento ilegal é crime e não deve ser imputado aos produtores. O plano exige redução de 36% nas emissões do setor até 2030 e 54% até 2035, o que é visto como desproporcional. Críticas incluem a não consideração de captura de carbono em propriedades privadas, como reservas legais, e práticas como plantio direto e biocombustíveis.

O deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), afirma que o plano ignora remoções de carbono por boas práticas. O Ministério do Meio Ambiente rebate, em nota, que as metas incluem remoções por restauração de vegetação e sistemas integrados em áreas privadas, abrangendo grandes produtores e agricultores familiares.

Outra objeção é o uso de dados do MapBiomas e modelos como o Blues, considerados não oficiais ou auditáveis. O plano impõe redução de desmatamento legal sem garantias de incentivos financeiros. Representantes se reuniram com o ministro Carlos Fávaro, cobrando oposição ao texto original, mas o ministério não respondeu a questionamentos.

A proposta está em consulta pública até 18 de agosto, e o setor pede sua suspensão para debates, alegando prazo curto de menos de 30 dias.

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