O mercado do boi gordo no Brasil encerrou a última semana de junho de 2026 com reversão da alta de preços, pressionado pela proximidade do limite da cota chinesa de importação e pela redução do consumo interno. Frigoríficos exportadores diminuíram as compras, especialmente de animais destinados à China, enquanto as escalas de abate se mantiveram entre seis e oito dias na média nacional. Nas principais praças pecuárias de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais, as cotações recuaram, com queda de até R$ 6 por arroba em São Paulo na sexta-feira anterior.
Pressão da cota chinesa e consumo interno
A cota anual chinesa de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina está próxima do limite, o que gera risco de tarifas extras para os exportadores brasileiros. Com o fim do mês, o poder de compra das famílias também diminuiu, levando consumidores a migrar para carnes mais baratas. Frigoríficos operam com escalas mais confortáveis e reduziram o ritmo de aquisições, contribuindo para o arrefecimento dos preços do boi gordo.
Essa combinação de fatores resultou em um ambiente de maior cautela nas negociações entre pecuaristas e frigoríficos nas principais regiões produtoras. A redução da demanda interna e as incertezas sobre o volume restante da cota chinesa limitaram a valorização da arroba nas últimas sessões da semana.
Perspectivas dos analistas do setor
Especialistas destacam que o cenário atual exige atenção redobrada dos agentes do mercado. A proximidade do limite da cota e o comportamento do consumo interno continuam a influenciar as decisões de compra e venda.
As escalas de abate apresentam relativo conforto, posicionadas entre seis e oito dias úteis na média nacional
Fernando Iglesias
Após uma primeira quinzena de preços firmes, a arroba perdeu força, com dúvidas pairando no ar e um clima mais gelado entre os agentes nas negociações
Felipe Fabbri