Durante a FEICORTE 2026, realizada entre 17 e 21 de junho em Presidente Prudente (SP), a Dra. Liliane Suguisawa, diretora da DGT Brasil, defendeu que o Brasil deve acelerar o melhoramento genético bovino para conquistar mercados premium e elevar o valor da carne exportada. A especialista destacou que o país, apesar de ser o maior exportador mundial, recebe atualmente cerca de metade do valor por tonelada em comparação com os Estados Unidos. A proposta centra-se na seleção focada em características como marmoreio, maciez e suculência, com apoio da ultrassonografia de carcaça para identificar animais superiores.
Valor da carne brasileira ainda fica aquém do potencial
O Brasil produz em larga escala, mas a receita por tonelada gira em torno de US$ 4.450, enquanto os Estados Unidos alcançam cerca de US$ 9 mil pelo mesmo volume. Essa diferença reflete a necessidade de migrar de uma estratégia de volume para uma abordagem centrada em qualidade e valor agregado. A Dra. Suguisawa ressaltou que o consumidor internacional já reconhece a capacidade produtiva brasileira e que o próximo passo é consolidar a percepção de qualidade.
Segundo a especialista, o país conta com vantagens competitivas como clima favorável, pastagens abundantes e baixo custo de produção, além de uma carne naturalmente sustentável e criada a pasto. Ao incorporar genética superior, o produto brasileiro se tornaria ainda mais competitivo em mercados exigentes. A ultrassonografia de carcaça permite conhecer o animal por dentro e multiplicar apenas os indivíduos com as características desejadas.
Seleção genética como ferramenta de transformação
A carne de qualidade do Brasil já deu certo. Processo tem, só falta escalar. O marmoreio é uma característica genética. Quando identificamos os indivíduos superiores e multiplicamos essa genética, modificamos completamente a qualidade da próxima geração. O americano entendeu cedo que quem manda na cadeia da carne não é o produtor, é o consumidor.
Reconhecimento internacional depende de foco no consumidor
O mundo já reconhece que o Brasil produz muito. Agora precisamos fazer com que reconheça a qualidade da nossa carne. Nós temos clima favorável, abundância de pastagens, custo de produção entre os menores do mundo, produzimos uma carne naturalmente sustentável e criada majoritariamente a pasto. Se agregarmos qualidade genética, teremos um produto praticamente imbatível. Passamos a conhecer o animal por dentro. Sabemos exatamente quais indivíduos devem produzir a próxima geração e quais características precisam ser corrigidas. Os Estados Unidos vendem praticamente a mesma tonelada de carne que nós por cerca de nove mil dólares, enquanto a brasileira gira em torno de US$ 4.450. Ou seja, produzimos muito, mas recebemos praticamente metade do valor.