O Brasil precisa avançar na dragagem e manutenção de hidrovias para ampliar o transporte fluvial e reduzir custos logísticos do agronegócio, afirmou Paulo Sousa, presidente da Cargill no Brasil e do Negócio Agrícola na América Latina, durante o Agro Summit promovido pelo Bradesco BBI em São Paulo no dia 10 de setembro de 2026.
Importância da infraestrutura natural
Paulo Sousa destacou que o país deve aproveitar a infraestrutura natural de baixo custo oferecida pelas hidrovias, em vez de depender exclusivamente das rodovias. Ele ressaltou que ações como a dragagem são comuns em grandes vias fluviais internacionais, como o Mississippi nos Estados Unidos e o Danúbio na Europa. Eventos recentes, incluindo estiagens que afetaram a navegação no rio Tapajós entre Santarém e Itaituba, no Pará, reforçaram a urgência dessas intervenções.
Hidrovia tem que ser dragada. Hidrovia é dragada nos Estados Unidos, no Mississippi, na Europa, no Danúbio, em todos os canais de acesso. Isso é dragado.
Paulo Sousa
Desafios regulatórios e ambientais
O tema envolve também povos indígenas do Baixo Tapajós, que realizaram protestos em dezembro de 2025, fevereiro e julho de 2026, além de exigências do TCU e do DNIT para consulta prévia e licença ambiental antes de licitações. O governo federal precisa conciliar esses aspectos para viabilizar obras que respeitem o meio ambiente e as comunidades locais, evitando atrasos adicionais em projetos de integração modal.
A hidrovia é a infraestrutura que a natureza te deu. O capex mais baixo que tem é hidrovia. Mas tem que cuidar dela. Tem que dar uma forcinha para a natureza.
Paulo Sousa
A redução da dependência de rodovias pode gerar fretes mais baratos e manter a competitividade do agronegócio brasileiro no mercado global, conforme apontado pelo executivo.