O Ibama determinou a suspensão temporária dos registros de produtos à base de glifosato no Brasil por 60 dias. A medida foi adotada após recomendação da Anvisa e busca permitir uma análise mais aprofundada dos dados sobre o herbicida. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União e entra em vigor imediatamente após sua divulgação.
A Anvisa apontou riscos de mutagênese, carcinogênese e toxicidade reprodutiva associados ao glifosato. Com base nessas informações, o Ibama optou por interromper temporariamente novos registros para avaliar com maior rigor os impactos à saúde humana. A ação envolve também a participação de outros órgãos reguladores no processo de revisão.
Recomendação da Anvisa e análise de dados
A recomendação da Anvisa fundamenta-se em evidências científicas que indicam possíveis efeitos adversos do glifosato. O Ibama utiliza esse período de 60 dias para cruzar informações técnicas e verificar a segurança dos produtos já registrados. A suspensão não afeta o uso de formulações já autorizadas no mercado, mas impede a entrada de novos registros durante o prazo.
Especialistas do Ibama e da Anvisa trabalham em conjunto para concluir a avaliação dentro do prazo estabelecido. O objetivo é garantir que qualquer decisão futura seja baseada em dados atualizados e robustos. Essa abordagem segue os procedimentos padrão de análise de risco aplicados a defensivos agrícolas no país.
Reação do setor agrícola
A CropLife Brasil manifestou preocupação com a medida e defendeu o papel do glifosato na agricultura nacional. A entidade argumenta que restrições excessivas podem afetar a produtividade das lavouras. O presidente da associação, Christian Lohbauer, destacou a importância do produto para o controle de plantas daninhas.
O glifosato é uma ferramenta importante para o controle de plantas daninhas e sua proibição ou restrição excessiva pode comprometer a produtividade agrícola no Brasil.
Christian Lohbauer
A suspensão temporária reflete o compromisso das autoridades com a proteção da saúde pública sem comprometer a transparência do processo regulatório. O Ibama e a Anvisa continuarão a monitorar os estudos disponíveis até o fim do prazo de 60 dias.