A dívida nacional dos Estados Unidos ultrapassou a marca de US$ 40 trilhões nos primeiros 19 meses do segundo mandato de Donald Trump, contrariando promessas eleitorais de redução de gastos e déficits. O marco foi atingido em agosto de 2026, conforme dados do Departamento do Tesouro. Especialistas atribuem o crescimento a cortes de impostos, aumento de despesas federais, os custos da guerra contra o Irã e a elevação dos juros sobre a dívida acumulada. Contribuintes americanos enfrentam agora pressões adicionais sobre programas como Previdência Social e Medicare.
Washington observa o impacto direto dessas escolhas orçamentárias. O Congresso dos EUA aprovou medidas que ampliaram os gastos sem contrapartidas suficientes de receita. Mudanças demográficas agravam a situação, elevando a demanda por benefícios sociais em um cenário de receita estagnada.
Promessas fiscais não cumpridas
Durante a campanha, Trump comprometeu-se a equilibrar as contas públicas, mas o resultado mostra trajetória oposta. A combinação de reduções tributárias e gastos militares ampliou o déficit em ritmo acelerado. Analistas destacam que tanto o atual quanto o mandato anterior do presidente registram déficits elevados.
Responsabilidade compartilhada no Congresso
Maya MacGuineas, presidente do Comitê para um Orçamento Federal Responsável, avaliou que a situação atual reflete omissão coletiva de parlamentares. O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, não apresentou novos planos de contenção imediata. A dívida crescente exige atenção bipartidária para evitar agravamento nos próximos anos.
Não há nenhum cenário em que se possa analisar o histórico do presidente Trump, tanto neste mandato quanto no anterior, e declará-lo um sucesso fiscal. A maneira como chegamos a este ponto não foi culpa dele, mas o fato de estarmos nesta situação e de os parlamentares não terem feito nada para melhorá-la é culpa de todos eles, com o presidente claramente ocupando um papel central e definindo a agenda.
Maya MacGuineas