Pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, em parceria com a Unicamp e a PPS Compósitos, desenvolveram uma combinação de β-cariofileno e óxido de grafeno que demonstrou alta eficácia no controle da murcha de Fusarium em plantas de Cyclamen cultivadas em Holambra, no interior de São Paulo. A solução surge como alternativa sustentável para uma doença que pode eliminar até 70% das plantas afetadas, com testes realizados tanto em laboratório quanto em casa de vegetação.
Testes e mecanismo de ação
As aplicações foram feitas por pulverização e endoterapia, permitindo que o óxido de grafeno estabilizasse o β-cariofileno e reduzisse sua volatilidade natural. Além disso, o composto adsorve a toxina produzida pelo fungo, limitando os danos às plantas. Os ensaios confirmaram a viabilidade prática da formulação em condições reais de cultivo.
Além disso, o óxido de grafeno atua como adsorvente (retém a substância em sua superfície) do ácido fusárico, toxina produzida pelo fungo, reduzindo os danos causados à planta
Bernardo Vieira
Já o óxido de grafeno, devido à sua estrutura única, pode proporcionar um efeito de proteção de substâncias benéficas contra degradação
Márcia Assalin
Benefícios para as plantas e o ambiente
Além do controle da doença, o tratamento promoveu aumento de biomassa e antecipação da floração nas Cyclamen. A abordagem reduz a dependência de defensivos químicos convencionais e alinha-se a práticas mais sustentáveis na floricultura brasileira. Pesquisadores destacam que o método preserva a saúde do solo e dos ecossistemas próximos.
Avaliação de segurança
Os estudos também avaliaram o impacto ambiental do composto. Os resultados indicaram baixa toxicidade para a maioria das espécies, permitindo a determinação de concentrações seguras para ambientes aquáticos. Essa característica amplia o potencial de uso da tecnologia em diferentes culturas e regiões do país.