Uma pesquisa com 3.182 vacas holandesas nascidas entre 2016 e 2022 demonstrou que o estresse térmico intrauterino está associado a menor produção de leite, gordura e proteína na primeira lactação, além de atrasos na idade à primeira inseminação e ao primeiro parto. O estudo, publicado na revista Theriogenology em 2026, analisou a relação entre dias com índice de temperatura e umidade igual ou superior a 68 durante os trimestres gestacionais e os indicadores produtivos e reprodutivos das animais na vida adulta.
Efeitos na produção de leite
Os dados revelaram que bezerras expostas a condições de estresse térmico no útero apresentaram redução na quantidade de leite, bem como menores teores de gordura e proteína durante a primeira lactação. Os pesquisadores associaram esses resultados à programação fetal, que compromete o desenvolvimento da glândula mamária e o metabolismo das vacas.
A análise considerou os diferentes trimestres da gestação e identificou que o impacto varia conforme o período de exposição ao calor excessivo. Esses achados reforçam a importância de estratégias de manejo para mitigar o estresse térmico em vacas gestantes.
Impactos no desempenho reprodutivo
Além dos efeitos produtivos, o estudo apontou atraso na idade à primeira inseminação e ao primeiro parto entre as vacas que sofreram estresse térmico intrauterino. Esses indicadores reprodutivos foram correlacionados diretamente com os dias de índice de temperatura e umidade elevado durante a gestação.
Os autores destacam que a programação fetal decorrente do estresse térmico afeta múltiplos sistemas, influenciando tanto a capacidade produtiva quanto a eficiência reprodutiva das animais na fase adulta.