O anúncio do Plano Safra 2026/2027 frustrou as expectativas dos produtores rurais paulistas. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) avaliou que o volume de recursos disponibilizado é insuficiente para atender às demandas do setor, especialmente diante de custos elevados e perdas climáticas recentes. O ciclo atual prevê apenas um acréscimo de R$ 9 bilhões em relação ao período anterior, sem incluir medidas específicas para reestruturar dívidas ou ampliar o acesso ao crédito por pequenos e médios produtores.
Recursos adicionais considerados limitados
A Faesp destacou que o aumento anunciado não acompanha a inflação dos insumos agrícolas nem os juros elevados praticados no mercado. Produtores de São Paulo enfrentam dificuldades para obter financiamentos em condições adequadas, o que compromete a continuidade das atividades em propriedades de menor porte. A ausência de previsibilidade de longo prazo também dificulta o planejamento de safras futuras e investimentos em infraestrutura rural.
Além disso, o plano não apresentou ações concretas para ampliar o seguro rural, ferramenta essencial para mitigar riscos climáticos cada vez mais frequentes no estado. Sem essa cobertura, muitos agricultores permanecem expostos a perdas que podem comprometer toda a produção do ciclo 2026/2027.
Impactos para pequenos e médios produtores
Os principais afetados são os produtores de pequeno e médio porte, que já enfrentam restrições de crédito e custos operacionais crescentes. A falta de uma política agrícola estruturante e permanente agrava a situação, segundo a entidade, pois impede o desenvolvimento sustentável do setor no longo prazo. A Faesp defende a necessidade de diálogo para ajustar as condições do plano ainda em vigor.
Necessidade de ajustes no crédito rural
Entidades do setor cobram maior atenção às demandas regionais de São Paulo, onde a diversidade de culturas exige soluções personalizadas. O atual formato do Plano Safra 2026/2027, na avaliação da Faesp, não oferece ferramentas suficientes para superar o endividamento acumulado e garantir a competitividade dos produtores paulistas no mercado interno e externo.