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Pesquisa brasileira cria impressão digital química da madeira para combater desmatamento ilegal na Amazônia

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Foto: RastreIA
Foto: RastreIA

Uma pesquisa conduzida por instituições brasileiras desenvolve ferramentas analíticas baseadas em assinaturas isotópicas e composição química da madeira para identificar sua origem geográfica e combater o desmatamento ilegal na Amazônia Legal. O estudo reúne pesquisadores do CENA/USP, IPEN-CNEN, Esalq/USP e Embrapa, com apoio da FAPESP, e foca em espécies nativas dos estados de Rondônia, Pará, Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso e Roraima. A iniciativa busca aprimorar a fiscalização contra fraudes no Documento de Origem Florestal e garantir maior rastreabilidade no comércio de madeira.

Análise de amostras revela padrões regionais

Os cientistas coletaram 272 amostras de 38 espécies nativas e submeteram 228 delas a análises por espectrometria de massas MC-ICP-MS. Métodos estatísticos como PCA e Random Forest foram aplicados para criar modelos de classificação geográfica capazes de distinguir a procedência da madeira com precisão. Esses procedimentos permitem mapear variações químicas que funcionam como marcadores específicos de cada região da Amazônia.

Combinação de elementos forma impressão digital

O projeto demonstra que a composição isotópica do estrôncio presente na madeira varia de forma consistente conforme a origem das amostras e acompanha a assinatura encontrada no solo. Além disso, a integração de diferentes características químicas amplia a capacidade de identificação, superando limitações de métodos baseados em um único elemento. Os resultados obtidos até o momento indicam potencial para aplicação prática em operações de fiscalização.

Os resultados têm sido bastante promissores. Observamos que a composição isotópica do Sr [estrôncio] presente na madeira varia de acordo com a região de origem das amostras e acompanha, de maneira muito consistente, a assinatura do Sr presente na fração biodisponível do solo

Gabriele Rossini Moreira

Mais do que identificar um único elemento capaz de indicar a procedência da madeira, nosso objetivo é compreender como a combinação de diferentes características químicas pode formar uma espécie de “impressão digital” de cada região

Gabriele Rossini Moreira

A ferramenta desenvolvida oferece suporte técnico às autoridades ambientais para verificar a origem declarada em documentos oficiais e identificar irregularidades no mercado de madeira. Com o avanço das análises, espera-se que o sistema contribua para reduzir o comércio ilegal e proteger a biodiversidade da Amazônia Legal. O trabalho permanece em fase de validação e expansão para novas espécies e áreas de coleta.

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