Um projeto de irrigação e fruticultura tem promovido mudanças significativas na vida de agricultores familiares no Vão do Paranã, nordeste de Goiás. A iniciativa permite a produção contínua de maracujá e manga ao longo de todo o ano em assentamentos da reforma agrária em Flores de Goiás. Cerca de 80 produtores rurais já se beneficiam dos investimentos em poços artesianos e sistemas de irrigação, superando a escassez histórica de água na região conhecida como Corredor da Miséria.
Investimentos em infraestrutura hídrica
A agricultora Júlia Pereira de Andrade e seu marido João relatam o impacto direto das perfurações de poços em suas propriedades. Cada família cultiva agora dois hectares com técnicas que garantem renda estável. O pesquisador José Carlos Sousa, da Embrapa, explica que o acúmulo de água subterrânea viabilizou o cultivo permanente, mudando o cenário de pobreza que marcava a área.
Relatos de superação e renda contínua
Eu ajoelhei e pedi muito a Deus para que me desse água
Júlia Pereira de Andrade
Júlia também descreve os desafios anteriores: “A gente tinha que sair para buscar água para tomar banho e fazer o uso doméstico. Foram dois anos assim. No momento em que eu consegui perfurar esse poço, que eu vi água dentro da minha chácara, para mim foi o bem maior que Deus me deu”. Seu marido João complementa que antes atuava com trator de esteira em fazendas alheias, enquanto agora foca na própria terra.
Benefícios para toda a comunidade
José Carlos Sousa destaca que “O produtor passa a ter uma fonte de renda ao longo de todo o ano”. O projeto demonstra como o acesso à água subterrânea transforma realidades locais, beneficiando diretamente as famílias envolvidas sem depender de chuvas sazonais. A expansão para novos produtores segue como meta para ampliar os resultados positivos na região.