O prolongado período de juros elevados começa a impactar a economia brasileira, com o agronegócio exposto a riscos crescentes de crédito. Após a redução da Selic de 15% para 14%, os efeitos da política monetária restritiva chegam agora a empresas e famílias, conforme indicam dados do primeiro trimestre e do primeiro semestre de 2026. Economistas admitem a possibilidade de recessão ou forte desaceleração em 2027.
Efeitos nos financiamentos do setor rural
A captação de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) registrou queda de 57,5% até julho, reduzindo fontes alternativas de financiamento para produtores. O endividamento elevado, margens apertadas e problemas climáticos agravam a situação de quem atua especialmente na soja e na pecuária bovina. A Serasa Experian aponta que o acesso ao crédito ficou mais restrito em meio ao cenário de juros ainda elevados.
Aumento de recuperações judiciais no agro
Os pedidos de recuperação judicial no setor agropecuário cresceram 21,9% no primeiro trimestre de 2026, sinalizando dificuldades de pagamento por parte de produtores rurais. Economistas como Rodolfo Margato, da XP Investimentos, destacam que o impacto acumulado da taxa básica de juros demorou para se materializar, mas agora pressiona toda a cadeia produtiva.
Perspectivas econômicas para 2027
Adauto Lima, da Franklin Templeton, resume o momento ao afirmar que o efeito dos juros altos chegou com atraso, porém de forma concreta. Com o cenário atual, analistas avaliam que 2027 pode trazer recessão ou desaceleração acentuada caso as condições de crédito não se normalizem. O foco permanece na capacidade de adaptação dos produtores diante da redução de liquidez e do aumento da inadimplência.