Um relatório internacional intitulado “Poison in Your Coffee”, produzido pela organização Coffee Watch, alerta para a exposição de milhões de trabalhadores rurais a pesticidas perigosos durante o cultivo de café, com atenção especial ao Brasil. O documento destaca que a cafeicultura intensiva utiliza 159 substâncias ativas, muitas delas proibidas na União Europeia, aplicadas sem equipamentos de proteção adequados. A diretora Etelle Higonnet ressalta que os riscos atingem tanto consumidores quanto, principalmente, quem trabalha nas lavouras.
Condições de trabalho nas lavouras
Em regiões cafeeiras de Minas Gerais e de outros grandes produtores, o uso intensivo de compostos cancerígenos, neurotóxicos e tóxicos para a reprodução ocorre de forma rotineira. Trabalhadores aplicam os produtos sem proteção respiratória ou vestimentas adequadas, o que eleva a incidência de intoxicações agudas. O relatório aponta que a alta dependência desses químicos resulta de práticas agrícolas consolidadas ao longo de décadas.
Riscos identificados para a saúde
Além dos efeitos imediatos, o estudo menciona riscos crônicos como danos ao sistema nervoso e alterações reprodutivas entre os expostos. Cerca de uma em cada cinco xícaras consumidas no mundo pode conter resíduos de pesticidas, mas a maior preocupação recai sobre quem manipula as substâncias diariamente. A Coffee Watch defende a revisão das normas de aplicação e maior fiscalização nas áreas de cultivo.
Há resíduos de pesticidas em aproximadamente uma de cada cinco xícaras consumidas pelos consumidores. Mas a verdadeira tragédia é o envenenamento dos trabalhadores.
Etelle Higonnet
Produtores brasileiros e autoridades sanitárias ainda não se manifestaram oficialmente sobre as recomendações do documento. O relatório sugere a transição gradual para métodos de cultivo com menor uso de químicos e maior proteção aos trabalhadores rurais.