Paulo Bertolini, presidente da Abramilho, participou do Congresso MAIZAR 2026 e debateu temas centrais para o setor agropecuário durante o painel “Do potencial aos resultados: o desafio agora é executar”, realizado no Parque Norte, em Buenos Aires, na Argentina. O evento ocorreu na quarta-feira, 27 de junho de 2026, e reuniu representantes de Brasil, Argentina e Estados Unidos para discutir a execução de estratégias que fortaleçam a produção de milho e a defesa dos interesses do agronegócio.
Articulação política do agronegócio brasileiro
Bertolini destacou o papel da Frente Parlamentar da Agropecuária na defesa do setor no Congresso Nacional. Ele ressaltou que a frente conta com quase 300 deputados e 44 senadores, o que representa uma força política significativa diante da importância econômica do agro, responsável por cerca de 30% do PIB brasileiro e por aproximadamente metade das exportações do país. A articulação envolve também o Instituto Pensar Agropecuária, que oferece assessoria técnica para a elaboração de políticas públicas.
A participação de Bertolini enfatizou ainda a necessidade de ampliar a cooperação entre entidades do setor para garantir que as regulações acompanhem a realidade produtiva. A Fundação Barbechando foi citada como exemplo de iniciativa que contribui para o fortalecimento da representação política no agronegócio.
Cooperação internacional por meio da aliança Maizall
O debate abordou a aliança Maizall, formada por Brasil, Argentina e Estados Unidos, que busca pautas comuns para atuar em mercados externos, incluindo Europa, Ásia, África e as Américas. Bertolini observou que a colaboração entre países concorrentes demonstra a possibilidade de união em torno de interesses compartilhados, independentemente das diferenças de escala e contexto local.
Essa cooperação visa influenciar decisões políticas globais que afetam o comércio de milho e outros produtos agrícolas. O presidente da Abramilho defendeu que instituições do agronegócio em ambos os países possam replicar o modelo para avançar em temas comuns.
Quem faz parte da Frente Parlamentar da Agropecuária hoje são quase 300 deputados, de 513, e 44 senadores, de 81 senadores. Isso trouxe uma força política muito forte, que reflete a importância que o agro tem na economia brasileira. 30% do nosso PIB é do agro. Mais de 50%, ou em torno de 50%, do que exportamos vem do agro. Então, era importante que o setor político, quem estabelece as regras e faz as regulações, estivesse apoiado ou suportado por uma frente parlamentar que defendesse o agro brasileiro.
Paulo Bertolini
Os três países conseguiram encontrar uma pauta comum para trabalhar juntos no mundo afora: Europa inicialmente; depois Ásia, África, as Américas. Se três países que competem conjuntamente no mesmo mercado são capazes de encontrar uma mesma pauta de discussão e trabalhar juntos, independentemente do seu tamanho e das suas realidades. Acredito que instituições do agro, como no Brasil e aqui na Argentina, são capazes de se unir para escolher pautas comuns que afetem todos esses setores e trabalhar politicamente para essa realidade mudar.
Paulo Bertolini