Uma reunião técnica realizada em 9 de julho de 2026 na Fazenda Santa Amaro, sede da Sementes Com Vigor em Muitos Capões, no norte do Rio Grande do Sul, apresentou resultados de pesquisa sobre planos de cobertura e reciclagem de nitrogênio na agricultura regenerativa. O encontro, organizado pela SCV e pela APASSUL, reuniu produtores rurais para demonstrar na prática os efeitos de plantas de cobertura na disponibilidade de nitrogênio no solo e na produtividade das culturas de verão.
Práticas regenerativas em campo
Durante o evento, os participantes observaram de perto sistemas de plantio direto de longo prazo e o uso de mix de plantas de serviço, como aveias, nabos e ervilhaca. Essas práticas visam à fixação biológica de nitrogênio e à ciclagem de nutrientes, em resposta aos desafios climáticos recentes que afetaram o estado. O objetivo principal é reduzir custos com fertilizantes químicos e recuperar solos após períodos de ociosidade no inverno, quando milhões de hectares permanecem sem cultivo no Rio Grande do Sul.
Adaptação de tecnologias ao contexto sulino
Pedro Basso, engenheiro agrônomo, CEO da SCV e diretor da APASSUL, destacou que os dados disponíveis sobre nitrogênio costumam vir de regiões como o Cerrado, onde solos com baixa matéria orgânica mostram ganhos rápidos. No Sul, os solos já apresentam índices naturais de 0,3% e, com manejo adequado, podem chegar a 0,5%, elevando o teto produtivo das lavouras de soja e outras culturas.
O investimento em tecnologia embarcada está levando o máximo potencial produtivo ao agricultor. No entanto, o produtor gaúcho precisa compreender que o uso de sementes certificadas de alto vigor, associado a um solo biologicamente equilibrado por meio de plantas de cobertura, é o nosso principal trunfo contra as quebras de safra causadas pelas intempéries climáticas.
Pedro Basso
Basso também alertou para as diferenças térmicas entre regiões. Embora 0,5% de nitrogênio pareça superior, no calor da safra de verão um índice de 0,3% pode ser mais disponível para as raízes do que 0,5% sob o frio do inverno, já que o clima frio retém o nutriente na matéria orgânica e dificulta sua mineralização temporária.
Benefícios para a produtividade local
Os resultados reforçam a importância de associar sementes de alto vigor a solos biologicamente ativos. Essa combinação permite maior resiliência contra intempéries e otimiza a absorção de nutrientes pelas plantas de verão. Produtores presentes puderam verificar na prática como a rotação de culturas e o uso de plantas de serviço contribuem para sistemas mais sustentáveis e economicamente viáveis no longo prazo.