O Produto Interno Bruto da agropecuária brasileira cresceu 6,8% no segundo trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, superando as projeções iniciais e sendo sustentado pelo bom desempenho das principais lavouras e pelo aumento dos abates de animais. Os dados foram divulgados pela consultoria EY Brasil e refletem um primeiro semestre robusto, apesar de uma base de comparação mais fraca em 2025 para culturas como café e algodão.
Crescimento sustentado por soja, milho e pecuária
O avanço no trimestre foi impulsionado principalmente pela soja, pelo milho, pela cana-de-açúcar e pelo aumento dos abates de bovinos, frangos e suínos. José Carlos Hausknecht, sócio de agronegócios da EY Brasil, destacou que o setor registrou expansão acima do esperado nesse período. Ele observou ainda que alguns produtos enfrentam dificuldades, o que já começa a influenciar os resultados parciais do ano.
Nós temos alguns produtos com problemas
José Carlos Hausknecht
A pecuária também contribuiu de forma relevante para o resultado trimestral, com volumes maiores de abates em todas as principais cadeias de proteína animal. Essa combinação de fatores permitiu que o PIB da agropecuária superasse as estimativas iniciais para os meses de abril a junho.
Projeção anual da EY aponta expansão entre 1,6% e 2%
Para o ano de 2026 como um todo, a EY projeta um crescimento mais moderado, entre 1,6% e 2%. A consultoria espera redução na produção de milho safrinha, arroz e trigo no segundo semestre, além de menor ritmo de abates de bovinos. Essas perdas devem compensar parte do desempenho positivo registrado no primeiro semestre.
Estamos vendo uma redução que deve persistir nos próximos meses
José Carlos Hausknecht
Ainda é um crescimento bom
José Carlos Hausknecht
Os efeitos do El Niño sobre a safra 2026/2027 só serão sentidos no ano seguinte, segundo o executivo da EY. A base de comparação mais fraca em 2025 para café e algodão também ajuda a explicar o ritmo mais contido projetado para o fechamento do ano.