O bacalhau permanece como um dos pratos mais tradicionais da Páscoa brasileira, com consumo concentrado principalmente na Sexta-feira Santa. Importado de países como Noruega, Islândia e Canadá, o peixe chega ao Brasil em volumes que alcançam 40 mil toneladas por ano, sobretudo entre março e abril. Sua presença nas mesas reflete uma prática consolidada ao longo dos séculos, mantendo relevância tanto pelo valor nutricional quanto pela capacidade de conservação.
Origens e método de preparo
A técnica de salgar e secar o bacalhau ao ar livre por até dois meses foi desenvolvida pelos vikings na Noruega. Esse processo antigo permitiu que o pescado resistisse a longas viagens e chegasse a diferentes continentes sem perder qualidade. Os colonizadores portugueses, grandes importadores do produto, incorporaram o hábito ao Brasil colonial, onde ele se adaptou às celebrações religiosas.
Simbolismo cultural no Brasil
Com o tempo, o bacalhau deixou de ser apenas um alimento importado e passou a representar um elemento central da identidade gastronômica brasileira durante a Páscoa. Consumidores mantêm a tradição em família, valorizando tanto o sabor quanto a história associada ao prato. O historiador gastronômico Carlos Alberto Dória destaca essa integração cultural.
O bacalhau é parte da nossa identidade cultural. Mesmo sendo um peixe importado, ele se tornou um símbolo da Páscoa brasileira.
Carlos Alberto Dória
Hoje, a demanda continua estável, sustentada por produtores noruegueses que preservam métodos tradicionais e por uma rede de importação eficiente. O consumo anual reforça laços entre a história europeia e os costumes brasileiros, sem sinais de diminuição nas próximas temporadas.