Apenas 10,4% das áreas prometidas em restauração de terras foram efetivamente implementadas em todo o mundo, totalizando 124,3 milhões de hectares, conforme o relatório Global Land Restoration Achievement Database: 2026 Report, lançado pela União Internacional para a Conservação da Natureza durante a COP 17 da Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação.
Desafios globais da restauração de terras
O documento, elaborado com dados da IUCN e da FAO, destaca que 40% da superfície terrestre encontra-se degradada, impactando mais de 3 bilhões de pessoas. No Brasil, a situação é igualmente crítica: 28% do território apresenta degradação e 39 milhões de habitantes vivem em áreas suscetíveis à desertificação. A análise reforça a necessidade de monitoramento preciso para transformar iniciativas isoladas em políticas públicas estruturadas.
Metas voluntárias do Brasil até 2030
Durante a COP 17, o Brasil apresentou sua Meta Voluntária de Neutralidade da Degradação da Terra para 2030, composta por 17 submetas que incluem a recuperação de vegetação nativa, a expansão de sistemas agroflorestais e o manejo sustentável em biomas como a Caatinga e o Cerrado. O monitoramento será realizado por meio do Observatório da Restauração, com participação de organizações como a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura, a Araticum e a Rede para Restauração da Caatinga.
Não dá para dar escala ao que não se consegue enxergar. O Brasil precisa saber onde a restauração está acontecendo, quem está fazendo e quais resultados estão sendo entregues. Quando esses dados aparecem, a restauração deixa de ser um conjunto de iniciativas isoladas e passa a ser uma agenda capaz de orientar políticas públicas, atrair investimentos e movimentar uma nova economia.
Tainah Godoy
Representantes da sociedade civil enfatizaram o protagonismo das comunidades tradicionais e a importância de articular ações com o governo para cumprir os compromissos assumidos. O foco agora recai sobre a tradução das metas em resultados concretos no campo, com avaliação anual dos avanços na conservação do solo.
Essa COP marcou um protagonismo histórico das comunidades tradicionais, que sofrem os maiores impactos e lutam na linha de frente em seus territórios. Nosso papel agora é trabalhar em articulação direta com o governo e a sociedade civil para tirar do papel a ambiciosa meta brasileira de Neutralidade da Degradação da Terra.
Carol Sacramento
A meta nacional de neutralidade serve como uma baliza para as ações locais e regionais, integrando desde o combate direto à degradação via restauração até práticas complementares, como a agroecologia e o manejo integrado do fogo. A partir de agora, nosso foco deve ser traduzir esse compromisso em campo e garantir que ele seja monitorado de perto, para que possamos avaliar e entender, ano a ano, como estamos evoluindo em relação aos nossos compromissos de conservação do solo.
Pedro Sena