O mercado do boi gordo encerrou agosto com oferta restrita e forte resistência dos pecuaristas, o que levou a arroba a atingir R$ 350 em São Paulo após perdas semanais de até R$ 6 por arroba. Frigoríficos enfrentaram escalas de abate limitadas a cerca de uma semana, enquanto as negociações ocorreram de forma pontual em meio à baixa disponibilidade de animais terminados. Consultorias como Scot, Safras & Mercado, Agrifatto e Cepea acompanharam o movimento em estados como Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Rondônia.
Resistência dos pecuaristas sustenta preços
Os pecuaristas recusaram ofertas abaixo de R$ 340 a R$ 345 por arroba em São Paulo, forçando alguns frigoríficos a recorrerem a animais próprios para manter o ritmo de abate. Essa postura contribuiu para a valorização observada no fechamento da sexta-feira, 28 de agosto de 2026. O consumo doméstico fraco na segunda quinzena do mês, impulsionado pela substituição por proteínas mais acessíveis, reduziu a demanda e pressionou as cotações durante boa parte de agosto.
Consumo interno e escalas de abate
Apesar do cenário desafiador, as escalas de abate permaneceram em torno de uma semana na maioria das unidades, refletindo a oferta limitada de bovinos prontos para o abate. Analistas do setor destacam que o comportamento dos produtores evitou quedas mais acentuadas nos preços, mesmo diante da reposição mais lenta no atacado e no varejo. O mercado de boi gordo em São Paulo serviu como referência para os ajustes observados em outras praças produtoras.
Perspectivas para a primeira quinzena de setembro
Com a entrada dos salários no início de setembro, espera-se uma melhora gradual no consumo interno e na reposição entre atacado e varejo. Fernando Henrique Iglesias observa que o cenário pode favorecer novos negócios nas próximas semanas. As cotações devem continuar sob influência da oferta restrita, mantendo a atenção de frigoríficos e pecuaristas sobre o ritmo das negociações.
o consumo interno tende a apresentar alguma melhora durante a primeira quinzena de setembro, justamente pela entrada dos salários e consequente reposição entre atacado e varejo.
Fernando Henrique Iglesias