O mercado editorial brasileiro registra uma onda de livros devocionais com a palavra café no título, impulsionada pelo sucesso de Café com Deus Pai desde 2023. Autores como Junior Rostirola exploram o ritual diário da bebida como momento de reflexão espiritual, atraindo leitores de diferentes denominações. A tendência reflete a associação cultural entre o cafezinho matinal e práticas de fé ou autoajuda em todo o país.
O crescimento dos títulos devocionais
Além de Café com Deus Pai, surgem obras como Café com Nossa Senhora, Café com Jesus e Café com Exu. Escritores de perfis variados adotam a fórmula, que combina espiritualidade com o hábito cotidiano do consumo de café. Católicos, mórmons, adventistas e muçulmanos sufistas encontram nesses livros uma linguagem acessível para conectar fé e rotina.
A popularidade comercial da série original incentivou editoras a investirem em variações temáticas. O público adulto busca leituras breves e inspiradoras que encaixem no dia a dia, elevando as vendas no segmento devocional brasileiro.
A origem cultural da bebida
Historiadora e gastrônoma, Camila Landi contextualiza o fenômeno ao lembrar as raízes antigas do café. Relatos apontam para a Etiópia no século 6 e sua expansão pelo Iêmen e mundo islâmico no século 17. O ritual de preparo e consumo sempre carregou simbolismo de encontro e contemplação.
Há várias versões, mas a maioria apontando para o estudo do efeito da planta nos animais que a consumiam na região
Camila Landi
Landi também destaca o processo de torra e infusão: Assim teria nascido a bebida, resultante desse fruto tostado em contato com água quente. Ela observa que lendas coexistem: Naturalmente que histórias são contadas e lendas têm suas versões, portanto coexistem outras similares. Essas narrativas enriquecem o apelo dos livros atuais, que transformam o cafezinho em espaço de diálogo interior ou oração.