O produtor rural brasileiro inicia a nova safra de verão a partir de 7 de setembro de 2026 sob forte influência do El Niño, fenômeno que provoca chuvas acima da média no Sul e eleva o risco de períodos mais secos no Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Especialistas alertam para contrastes regionais que podem impactar a produtividade das lavouras, especialmente de trigo no Rio Grande do Sul e das culturas de verão em Mato Grosso. O monitoramento constante das condições climáticas torna-se essencial para evitar prejuízos operacionais nos próximos meses.
Os efeitos do El Niño já se manifestam desde julho e agosto, com volumes de chuva superiores ao esperado prejudicando o plantio e a colheita no Sul. No Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, o excesso de precipitação atrasa operações de campo e reduz a qualidade de culturas como o trigo. Ao mesmo tempo, a umidade do solo abaixo da média em Mato Grosso exige atenção redobrada às previsões para o início do plantio.
Impactos regionais do el niño
O fenômeno climático de intensidade forte no segundo semestre amplia as diferenças entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul enfrenta alagamentos e atrasos, o Centro-Oeste observa solo mais seco, o que pode comprometer a germinação das sementes caso as chuvas não se regularizem. Produtores de Mato Grosso devem acompanhar especialmente as precipitações previstas para meados da próxima semana.
O que a gente observa é um impacto no Brasil, especialmente já bem característico do El Niño. No Brasil, a gente já observa chuvas bem acima da média no Rio Grande do Sul, especialmente, mas também no Paraná e Santa Catarina.
Fellipe Reis
Estratégias para minimizar perdas
Consultores recomendam que cada produtor acompanhe a previsão climática específica de sua região e propriedade para planejar as operações de campo. A atenção individualizada pode evitar problemas no curto prazo e preservar a produtividade. Em cenários de El Niño mais intenso que o registrado em 2015, o Rio Grande do Sul corre o risco de perder entre 200 mil e 1 milhão de toneladas apenas pela queda na produtividade.
Se isso se consolidar esse ano, ou for até mais intenso do que isso, já que o El Niño deve ser mais intenso neste segundo semestre do que foi no segundo semestre de 2015, o Rio Grande do Sul pode perder de 200 mil toneladas até 1 milhão de toneladas, apenas com a sua menor produtividade.
Fellipe Reis
Além disso, a orientação é seguir as chuvas previstas e ajustar o calendário de plantio conforme a evolução do tempo. Essa abordagem permite reduzir impactos negativos e aproveitar janelas favoráveis em todas as regiões afetadas.