Energia

Etanol brasileiro aos 50 anos: planos ambiciosos para liderar a descarbonização global

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O etanol brasileiro celebra 50 anos de existência, marcado por ressurreições e avanços, com metas ousadas para expandir sua fórmula para combustíveis de aviação e marítimo, além de outros biocombustíveis como biodiesel, biometano, etanol de segunda geração e hidrogênio verde. Esse marco coincide com iniciativas políticas que visam posicionar o Brasil como líder no desenvolvimento sustentável no século XXI, impulsionadas por pressões globais por descarbonização desde o Acordo de Paris.

O combustível sustentável de aviação (SAF), produzido a partir de rotas como o etanol, é visto como uma oportunidade chave. A Petrobras planeja investir US$ 4,3 bilhões em combustíveis renováveis até 2026, parte de um total de US$ 16,5 bilhões. Políticas como o RenovaBio, criado em 2017, fomentam a produção de etanol, biodiesel e biometano por meio de créditos de descarbonização (CBIOs). Em 2024, a Lei do Combustível do Futuro estabeleceu metas de descarbonização para transportes, com mandatos crescentes de mistura de etanol na gasolina e biodiesel no diesel, elevando a mistura para 30% (E30) em agosto.

Para sustentar o crescimento, o setor investe em inovação. Luiz Antonio Dias Paes, do Centro de Tecnologia Canavieira, destaca alavancas como genética, biotecnologia e novas formas de plantio para aumentar a produtividade da cana. Plínio Nastari, da Datagro, afirma que é possível expandir a produção sem desmatamento, utilizando pastagens convertíveis. Estudos preveem que a demanda global por etanol cresça 2,4 vezes até 2040, impulsionada por programas como o Fit For 55 na União Europeia e o Inflation Reduction Act nos Estados Unidos, além de mandatos em países como Índia e Japão. Na COP30, Brasil, Itália, Japão e Índia lançaram uma iniciativa para quadruplicar o uso global de biocombustíveis até 2035.

Desafios incluem mudanças climáticas, que causam desertificação e reduzem janelas de plantio, exigindo inovações em sementes e solos, segundo o IPCC. Questões geopolíticas, como a lei europeia antidesmatamento e tarifas americanas, também ameaçam a expansão. Adriano Pires, do CBIE, alerta para riscos de insegurança regulatória, com possíveis adiamentos de mandatos para conter inflação.

O etanol de milho registra crescimento vertiginoso, de 85 mil litros em 2014/15 para projeções de até 24,7 bilhões de litros em 2033/24, com investimentos de R$ 40 bilhões. Seu subproduto, o DDG, integra cadeias de energia e proteína animal, melhorando emissões, conforme Luis Augusto Barbosa Cortez, da Unicamp. No entanto, debates surgem sobre o futuro com veículos elétricos: enquanto alguns, como Pires, criticam incentivos a elétricos em detrimento do etanol, outros, como Henry Joseph Júnior, da Anfavea, preveem convivência via híbridos-flex, que devem representar 72% da frota até 2040.

Para o futuro, o foco está no SAF e no combustível marítimo. O governo lançou o ProBioQAV em novembro, inspirado no Proálcool, para replicar sua mobilização e tornar o Brasil fornecedor global, com incentivos fiscais e regulação para reduzir custos. Gonçalo Pereira, da Unicamp, enfatiza o potencial socioeconômico, com a bioenergia gerando 42 empregos por unidade de energia, versus um na fóssil, posicionando o país como uma “grande biorefinaria”.

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