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Pesquisadores brasileiros usam mercúrio para rastrear origem de madeira ilegal

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Foto: Divulgação
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Pesquisadores brasileiros avançam no desenvolvimento de uma técnica inovadora que utiliza o mercúrio como marcador químico para identificar a origem geográfica da madeira. O projeto RastreIA, conduzido pela Esalq/USP e pelo Ipen com apoio da FAPESP, busca fortalecer o combate à extração ilegal por meio de maior rastreabilidade das cadeias produtivas. A abordagem explora a capacidade das árvores de registrar assinaturas químicas regionais, combinando mercúrio com outros elementos e isótopos para criar uma impressão digital confiável.

Funcionamento da assinatura química

As árvores absorvem mercúrio do ar e do solo ao longo de sua vida, formando um registro natural da região onde cresceram. Essa propriedade permite diferenciar madeiras de diferentes biomas brasileiros com precisão. A análise integrada de múltiplos marcadores químicos aumenta a robustez do método contra tentativas de fraude na documentação de origem.

As árvores conseguem absorver mercúrio diretamente do ar, principalmente na forma gasosa, por meio das folhas durante as trocas gasosas. Por isso, as florestas funcionam como uma espécie de filtro natural, retirando parte do mercúrio da atmosfera.

Dr. Matheus Bortolanza Soares

Contribuição para a rastreabilidade florestal

O uso dessa ferramenta oferece suporte adicional aos órgãos de fiscalização e às empresas que buscam transparência em suas cadeias de suprimento. Ao dificultar a comercialização de madeira de origem duvidosa, a técnica contribui para a preservação dos biomas e para o cumprimento de normas ambientais. Pesquisadores destacam que a relação entre o mercúrio e demais elementos aprimora a identificação regional.

A relação entre o mercúrio e os demais elementos pode ajudar a compor a impressão digital da região amostrada.

Dr. Paulo Sérgio Cardoso da Silva

Os resultados obtidos até o momento indicam viabilidade para aplicação em larga escala, desde que sejam ampliadas as bases de dados de referência. A continuidade do projeto RastreIA deve gerar protocolos padronizados que possam ser adotados por laboratórios e autoridades competentes em todo o país.

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