O estado de São Paulo ampliou em 10,8% a área destinada ao cultivo de tomate de mesa na safra de inverno 2025/26, alcançando 5,1 mil hectares. Apesar do crescimento, a produção recuou 1,9% e totalizou 423 mil toneladas, impactada por uma queda de 11,5% na produtividade, que ficou em 82,3 toneladas por hectare. Os dados foram divulgados pelo Instituto de Economia Agrícola e pela CATI, com base em levantamentos realizados nas principais regiões produtoras.
Expansão da área não compensa perdas de eficiência
A redução na eficiência produtiva superou o ganho obtido com o aumento da área plantada. Condições ambientais adversas e desafios no manejo das lavouras contribuíram para o resultado abaixo do esperado. Produtores das regiões de Campinas, Itapeva, Sumaré, Monte Mor e Mogi Guaçu sentiram os efeitos da menor disponibilidade de recursos essenciais durante o ciclo.
Regiões de Itapeva e Campinas lideram o crescimento
Itapeva registrou a maior expansão, com alta de 58,8% na área cultivada, enquanto Campinas apresentou crescimento de 11,3%. Esses dois polos concentraram boa parte do incremento estadual. No entanto, a produtividade média caiu em todos os locais monitorados, evidenciando que o simples aumento de hectares não garante maior volume colhido.
Especialistas destacam manejo eficiente de recursos
Francisco de Carvalho, da Hydroplan-EB, observou que a irrigação precisa ser avaliada também após a aplicação da água.
Márcio Boldrin, da Biogênese, reforçou a importância econômica do aproveitamento dos insumos.O sistema de irrigação leva a água até a lavoura, mas existe uma segunda discussão, que é o que acontece com essa água depois da aplicação. Quanto dela permanece disponível para a planta? Quanto é efetivamente aproveitado? Quando falamos de produtividade, precisamos considerar também essas perdas.
Francisco de Carvalho
Os técnicos indicam que investimentos em tecnologia e capacitação podem elevar a eficiência sem necessidade de expandir ainda mais a área cultivada.Água, fertilizante, energia e mão de obra têm custo. Quando conseguimos melhorar o aproveitamento desses recursos, não estamos falando apenas de uma questão agronômica, mas econômica. O próximo avanço de produtividade pode estar muito mais em fazer melhor uso da estrutura existente do que simplesmente aumentar a área.
Márcio Boldrin