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Líderes rurais do Paraná visitam fazenda nos EUA e comparam produtividade de milho e soja

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Foto: Divulgação/Sistema FAEP
Foto: Divulgação/Sistema FAEP

Uma comitiva de líderes rurais do Paraná visitou uma fazenda de milho e soja em Des Moines, Iowa, para comparar condições da agropecuária brasileira com a norte-americana. A viagem técnica, organizada pelo Sistema FAEP, permitiu que os participantes observassem operações locais e discutissem temas como produtividade, armazenagem, crédito e sucessão familiar. Os visitantes identificaram tanto divergências técnicas quanto desafios econômicos comuns aos dois países.

Diferenças em produtividade e maquinário

Aldo Tasca destacou o teto mais elevado de produtividade do milho nos Estados Unidos, atribuído a solos com pH em torno de 7,5, maior incidência de luz e amplitude térmica favorável. Eduardo Martins observou que o maquinário americano opera com maior rendimento, alcançando velocidades de plantio de até 18 km/h, contra cerca de 7 km/h no Paraná. Essas vantagens são sustentadas por seguros rurais e subsídios governamentais que garantem retorno sobre investimentos em tecnologia de ponta.

Eles têm um teto de produtividade de milho bem mais alto do que o nosso. Os solos deles têm um pH alto, em torno de 7,5, difícil de a gente atingir. Além disso, a quantidade de luz no período da safra e a amplitude térmica [alta temperatura de dia e queda à noite] são exatamente o que a planta necessita

Aldo Tasca

O maquinário deles é mais aprimorado, com um rendimento operacional superior ao nosso. A velocidade de plantio chega a 18 km/h, enquanto no Paraná a gente roda, a grosso modo, a 7 km/h. Eles têm máquinas de última geração porque sabem que o investimento tem retorno garantido, amparado por seguro rural e subsídios do governo

Eduardo Martins

Armazenagem, crédito e condições econômicas

Os produtores paranaenses notaram que as fazendas americanas contam com armazenagem própria integral, incluindo secadores, o que permite venda direta às indústrias. Dalnei Menon comparou as taxas de juros: o custeio agrícola nos Estados Unidos gira em torno de 7% ao ano, contra 15% no Brasil para nível similar de tecnologia. Michael Brelsford explicou que o seguro agrícola federal americano funciona como rede de segurança, com contribuições governamentais que variam conforme o histórico de produtividade.

Eles têm armazenagem própria para toda a produção, com secador, para depois vender direto para as indústrias. Eu também tenho silo na minha propriedade, mas presto serviço com o excedente de espaço. No caso dele, é um espaço exclusivo para a safra própria

Aldo Tasca

Dando um exemplo, o produtor americano citou que o custeio agrícola ou financiamento de máquinas gira em torno de 7% de juros ao ano. Para o produtor brasileiro, no mesmo nível de tecnologia, gira em 15%. A gente nota benefícios aos norte-americanos

Dalnei Menon

Desafios compartilhados na sucessão e rentabilidade

Apesar das diferenças, ambos os lados enfrentam pressões econômicas semelhantes. Michael Brelsford mencionou que insumos elevados e preços historicamente baixos das commodities reduzem a rentabilidade, enquanto a falta de recursos afasta jovens das propriedades. Dalnei Menon concluiu que a agricultura mundial lida com dificuldades financeiras, embora os produtores brasileiros sintam mais impacto devido a políticas econômicas e custos operacionais.

Se não há dinheiro, as gerações mais jovens não têm interesse em ficar e trabalhar. É muito difícil manter fazendas multigeracionais unidas

Michael Brelsford

A agricultura mundial sofre um desafio na questão econômica, e nos Estados Unidos não é diferente. Porém, os produtores brasileiros estão sofrendo mais, principalmente com as políticas econômicas, o custo operacional e o mercado de commodities

Dalnei Menon

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