Uma mutação genética natural identificada em 1963 em uma lavoura de feijão-chumbinho no interior de São Paulo deu origem à variedade carioca, que se tornou a mais consumida no Brasil nas últimas décadas. O achado permitiu o desenvolvimento de plantas mais robustas e listradas, capazes de oferecer maior produtividade e melhor adaptação a diferentes condições climáticas.
Origem e desenvolvimento da variedade
O processo começou em Ibirarema, no interior paulista, onde pesquisadores observaram plantas com características diferenciadas dentro de uma plantação tradicional. A partir dessa identificação, equipes do Instituto Agronômico de Campinas realizaram cruzamentos e testes de produtividade que consolidaram a nova linhagem. A popularização ocorreu a partir da década de 1970, impulsionada por campanhas de extensão rural que levaram a semente a produtores de diversas regiões.
Expansão para outras áreas do país
Após os primeiros resultados positivos em Campinas, o feijão-carioca se espalhou para o Noroeste de Minas Gerais e para Ponta Grossa, no Paraná. Essas áreas passaram a contar com cultivares adaptadas localmente, o que reduziu custos de produção e diminuiu a dependência de variedades mais antigas. A diversificação genética também contribuiu para maior segurança contra pragas e variações climáticas.
Pesquisadores envolvidos no trabalho
O desenvolvimento contou com a participação de Waldimir Coronado Antunes, Luiz D’Artagnan de Almeida, Camila Landi, Luiz Gustavo Lacerda, Alisson Fernando Chiorato, José Norival Augusti, Marcelo Eduardo Lüders e Sérgio Augusto Morais Carbonell. Esses profissionais conduziram as etapas de melhoramento genético, avaliação de desempenho e transferência de tecnologia para o campo. O resultado foi uma variedade que atende tanto às necessidades dos produtores quanto à preferência dos consumidores brasileiros.